Domingo.

Quando dá quase onze da manhã, capricho uma dose e sigo alimentando-a, com gelo e uísque, até que saia o almoço. Nesse intervalo, leio o jornal, acesso a internet ou bato umas linhas nesse Word que não me deixa escrever errado sobre linhas tortas: as linhas são geometricamente perfeitas e os erros grifados para que não me escapem. Mas deixo-os livres para infestarem meus pensamentos. Errar é meu sobrenome. Meu nome, já não me lembro.

Enfim, seja lá onde eu estiver nessa casa que me tem toda a infância gravada em cada canto, sinto o cheiro da comida sendo preparada no fogão. Mais uma dose? É claro. É claro que eu estou afim.

Se o cheiro do rango que enche minha boca d’água me encontra em qualquer lugar da casa, a Gal Costa que soa no radio-cd da cozinha só me pega quando estou nas imediações do fogão. E creia, é muito bom. Gosto da voz dela mas, a essa altura, já não sei se pelo dom vocal da nobre baiana, se por ouvi-la por toda minha vida em meio as cantaroladas da minha mãe, sua fã absoluta, ou se pelos efeitos do camarada blended scotch whisky Chivas Regal.

É isso que rola agora aqui em casa, aqui em Jaú nesse domingo de sol radiante e céu de Brigadeiro: cheiro de boa comida, o dueto Gal Costa e dona Helena e eu, já meio baludo pelo iscótchi on the rocks, com a fome de uma legião romana.

Cara, vou te dizer: momentos como estes são os que fazem dessa bostinha de cidade um lugar inesquecível.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s