Toca um Ozzy dubão aí, fio!

Dei uma limpada no controle remoto. Uma limpada daquelas. De acordo. Com álcool apropriado e o caramba. Agora, todos os botões funcionam. Até os que não uso. Pra dar uma testada na máquina, zappiei em alta velocidade pela televisão, meio sem rumo. De repente, passo por um noticiário que diz algo sobre um assalto na Avenida Jabaquara. Freio, volto uns dois canais e paro em frente a imagem da avenida. Os guardas desviavam o trânsito que ficou atolado em frente à cena do crime. Parece que até a Santa Cruz tinha carro parado. Isso dá  duas estações de metrô. É carro paca.
De cara, sei que é aqui perto. A câmara foi abrindo. Um estacionamento, um supermercado, um posto BR. Taqueopá bicho, o assalto foi no supermercado aqui do lado! Num que eu vou às vezes. No Hirota. Pode crer?
Estaciono o controle no sofá e escuto.

Vixe Maria, teve tiro e o cacete! Dois feridos. Já hospitalizados e em recuperação, segundo a bela repórter. Ela já foi namorada de um amigo. Gente boa. Dava a notícia com a voz firme, séria, num misto de informação e preocupação. E tudo sem um milímetro de sotaque. Boa repórter, viu Rollers?
Não sei quem se feriu, sei que não foi o segurança. Esse eu vi, ao fundo, enquanto um policial era entrevistado. Sei quem é o figura. Meio bonachão, manja? Eu sempre achei que o Hirota deveria ter samurais como seguranças. Ninguém rouba um samurai. Ninguém mata um samurai, só outro samurai. E samurais, como todos sabem, não são ladrões. E tem toda aquela história da espada. Quando se rouba um samurai, ele não mata o infrator. Dá-lhe uma lição. Um samurai corta a mão do gatuno, como ensinou o velho e bom Hamurabi. Na reincidência, amputava uma perna. Se além de gatuno, o fora da lei ainda fosse um desses sujeitos do mal, capava-lhe num ágil e cirúrgico golpe,  logo de cara, que é pra ficar esperto.

Bastava um samurai, um. Mas não. Colocam um gordão, brasuca até a medula, sem nem um estingue sequer. Vai proteger a freguesia como? Com a simpatia?

Não era pra eu estar lá, então sem drama. O que eu tinha que fazer no Hirota, fiz ontem. E já estava atrasado. Por que que a gente é assim?

O lance é que eu estava aqui no exato momento do tiroteio, a um quarteirão da cena do crime. E soube do rolo todo pela TV.

Essa cidade é muito grande, bicho. Às vezes, dá até medo.

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