For those about to rock.

Aconteceu há mais ou menos duas décadas. Mais, sejamos sinceros, não menos.
Um rapazinho encrenqueiro e cheio de ideais sai exausto e ainda alto do Ginásio Doutor Neves, em Jaú, após um show do Ultraje a Rigor.
O ano era “Nós vamos invadir sua praia”.
Era o primeiro show de Rock de sua vida. Saiu com alguns amigos e as garotas que conheceram durante o espetáculo. De lá, após apavorarem alguns sandubas no velho trailer que ficava às margens do rio Jaú, o grupo ainda se via animado para prolongar a balada, que por falta de opções na acanhada cidade, limitou-se ao banco traseiro dos carros dos seus pais.
Quando enfim o rapazinho chegou em casa e se deitou em sua estreita e imaculada cama de solteiro, no quarto que dividia com o irmão mais novo, demorou-se um bocado até que o sono chegasse. A adrenalina da noite estatelava-lhe os olhos. Ali, fitando o teto, ele teve duas certezas absolutas: aquela noite jamais seria esquecida e que o Rock and Roll era parte de sua vida.

Muitos e muitos shows se passaram desde então. O rapazinho de Jaú se mandou de casa, virou publicitário e depois resolveu entrar pra máquina do Estado. Hoje vai ver o AC/DC pela segunda vez em sua vida. Tenta estudar alguma coisa antes que um de seus velhos amigos chegue do interior para assistir à banda australiana que ouvem há décadas. Trata-se do único amigo remanescente daquele show do Ultraje a Rigor.
O único que pegou o mesmo caminho.

Muitas coisas na vida desaparecem com o tempo. Pessoas vão e voltam, paixões avassaladoras tornam-se simpatias ordinárias, heróis viram vilões. As encruzilhadas nos levam para lugares cada vez mais distantes. Pode ser o o destino planejado, pode não ser. Nem sempre há uma bela praia baiana no final da trilha. Mas ela existe, há de se estar certo disso. O fato é que no trajeto se aprende que certas coisas passam. Outras são eternas. Pra onde quer que você vá, elas estarão ali, ao seu lado.
Ou correndo em  suas veias.

Como o Rock.
Como os amigos.

E que se foda a contabilidade nacional! Eu vou abrir uma cerveja, meter o Highway to Hell de minha adolescência no toca discos e esperar o velho e bom Aló lá da varanda.

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Um pensamento sobre “For those about to rock.

  1. Ao ver/ler as matérias sobre o show pensei logo cá com meus botões… ele está aí/lá ! ‘Recarregando-se’.
    Quem disse que para renovar as forças é preciso muita tranquilidade, sossego e calmaria ?
    “O fato é que no trajeto se aprende que certas coisas passam. Outras são eternas” E como é bom que seja assim, Alexei !

    Beijo, rock e amigos, sempre.

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