Arquivo da categoria ‘Na cobertura’

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Telecurso.

26 agosto, 2009

A noite fria e uma apostila de informática faziam-me companhia em mais uma terça de agosto na Paulicéia. Redes de computadores e goles de café. As topologias barramento, anel e estrela se distribuem pelas arquiteturas Ethernet, Token Ring e a popularíssima Wi-Fi. As placas de rede interligam computadores utilizando cabos (coaxial, par-trançado, fibras óticas) ou ondas eletromagnéticas, Hubs ou Switchs. Na boa? Prefira o Switch. Imagine o seguinte: chega uma carta no seu prédio endereçada a você. Note: você vive a 28 andares do chão. Caso seu prédio empregue o porteiro Switch, ao ter a carta em mãos, ele a levará diretamente ao seu apartamento. Caso na portaria trabalhe o seu Hub, ele vai passar por todos os apartamentos do prédio (que tem, imaginemos, 6 apartamentos por andar), perguntando no abrir de cada uma das 168 portas:
-Boa tarde. Essa carta é pra você?

De minha autoria, só os números. O exemplo é de João Antônio, o mestre da informática no mundão. Na aula da manhã, disparou essa e outras tantas comparações cotidianas. João tem a manha de trazer o complexo micro mundo nada virtual do tráfego de sinais elétricos para o nosso simples e mortal dia-a-dia. De repente, segmentos de rede se tornam cidades, redes viram países e roteadores passam a ser postos alfandegários, controlando e organizando o tráfego de informação nas fronteiras entre as redes de computadores. Imaginei-me já estável, trabalhando num roteador, organizando pacotes repletos de bits e destinando-os aos seus respectivos IPs. Vez ou outra, negaria um visto. Haveria de chegar a mim certos carregamentos não autorizados. Carimbaria a negativa com a convicção de um ato vinculado enquanto diria a milhares e milhares de megabytes, olhando-os por cima do óculos:
-Nessa rede, vocês não entram.
Alheio aos protocolos administrativos, um bit reclamaria indignado. Insuflado por trilhares de zeros e uns, com o passaporte negado em riste, o bit inconformado denunciaria a absurda incompetência do sistema:
-Mas foi o Hub que nos mandou pra cá!
-Amigão, no concurso pra Hub não cai Raciocínio Lógico. Próximo.

Tempo pra tomar ar. Ar frio, chocolate quente. Enquanto esquento o leite, redescubro que não tenho canela. Num instante, lembro-me que esqueci de comprar. Comprei leite, comprei chocolate. Canela não. Ligo a tv e dou um breve rolê pelos canais. Notem: breve porque tenho poucos canais. Gosto de passear pela programação enquanto me preparo para o último turno. A depreciação da caxola aqui é acelerada, bicho. Ainda há mais uma breve leitura nessa história toda de redes. E de repente, meu controle remoto me leva para a Rede TV, programa Super Pop.
Na tela, frente a frente, Luciana Gimenez e Sabrina Sato.

Mais Hub impossível, João.

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O dia seguinte.

24 junho, 2009

De você, tudo o que eu quis eu tomei.
E se você quer mesmo saber da verdade, havia mais a ser tomado.
Mas agora é tarde e eu estou satisfeito.
A mim você não tem mais serventia.
E agora, sem maiores lamentos, eu o executo.
Você já é passado.
Chegou o seu fim.
Não há tempo para um último pedido.
Visto um moletom esfarrapado, uma camisa furada e calço meias limpas.
Escovo os dentes e, antes de me jogar embaixo do cobertor, num requinte de absoluta crueldade, faço um chá de erva cidreira e o adoço com mel.

Você, já moribundo, suspira seus últimos minutos.

Que venha o próximo.

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O fim de um curto dia.

14 janeiro, 2009

Tá relampeando.

Tá relampeando paca.

Mas sem estrondos.

Manja?

Tipo um trovão mudo.

Teria Thor perdido a voz?

Ou seria o martelo?

Levantei-me.

Apaguei a luminária.

Não calcei os chinelos.

Fechei as janelas.

A última delas foi a da cozinha, onde peguei uma garrafa de tequila cheia d’água.

Sentei-me.

Peguei o controle remoto e liguei a TV.

Água mesmo.

E gelada.

Os raios continuam a cortar o céu.

Creatures of the Night.

Lembra desse LP?

Do Kiss, pô!

Aqueles que pintavam a cara e comiam pintinhos vivos no show.

78% da rapaziada que tem mais que 35 anos tem esse disco.

E o pôster do canhão também.

Tipo eu.

Creatures of the Night.

Lembra?

Da capa?

Da contracapa?

É o que estou vendo aqui da sala: raios paca

A primeira do lado B, você sabe qualé.

Certeza.

Dúvida?

I Love it Loud.

Manja?

Aquela do  ô – ô – ô – ô – ôôô!

Quem canta é o cara que toca um baixo em forma de machado.

Gene Simmons.

O cara que cospe fogo.

Cospe sangue.

O da língua.

Lembrou, né?

Olha outro raio. Esse rasgou, viu meu?

E vem a chuva. De leve, mas de grossos pingos.

Se apertar vai dar enchente amanhã.

Certeza.

Outro relâmpago, flahs da máquina fotográfica de Zeus.

Que que Ele tanto fotografa?

Outra foto.

Outra.

E outra.

E mais uma.

Essa queimou o filme.

I Love it Loud.

Mas som, só o da chuva,.

Que cai lá fora.

Enquanto isso, os Brothers se conhecem.

O livro de Direito Previdenciário está fechado em cima da mesa.

O do Thomas Mann está aberto ao lado da cama.

Alguns cadernos do jornal de domingo estão dobrados em cima do bidê.

E a chuva, que chegou quietinha, começa a causar um estardalhaço.

Acharam o martelo de Thor.

Vou me deitar antes que Zeus me fotografe assim: sem assunto.

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Conselho da China.

5 agosto, 2008

Quem já esteve no banheiro de minha casa sabe que meu reino é cercado pelas letras. Há sempre algo pra ler no trono, de jornais passados aos livros com citações, das revistas recentes às publicações de contos e crônicas. Atualmente, além da Constituição Federal e outras obras, há o clássico A Arte da Guerra, do sábio chinês Sun Tsu. E cabe a pergunta: existe chinês que não seja sábio?

Acreditem: existe. E eu conheço. Mas essa é outra história.

Ultimamente tenho preferido Sun Tsu em meus momentos mais íntimos à Constituição. Também ando lendo mais tal obra que a Bílblia do Caos, do Millor (leitura, aliás, indispensável para quem faz questão de cagar bem. Fica aí a sugestão). Essa hsitória de concurso público é uma guerra que parece não ter fim e tal percepção da realidade explica o motivo de minha edição de bolso do A Arte da Guerra ter ido parar em cima da tampa da descarga, ao lado de outros clássicos do meu banheiro.

Há pouco, nele fui buscar forças para prosseguir na resolução de um exercício cabuloso de Contabilidade, da qual fui obrigado a abandonar por razões que você, perspicaz leitor e sábia leitora, deve desconfiar. Larguei-me no trono, abri o Capítulo VIII, entitulado Da Arte das Mudanças e li:

Conhece o terreno. Se estiveres em lugares pantanosos, passíveis de inundação, cobertos de espessas florestas, cheios de desfiladeiros, inundados, desertos e áridos, ou seja, em lugares que não poderás obter reforço com facilidade, e onde não terá nenhum apoio, tenta sair o mais rápido possível.

Era exatamente a descrição da questão. Rapaz, mas não é que esse chinês poderia me ajudar mesmo? Pensei no tempo que havia perdido lendo outras coisas enquanto me renovava no trono. Feliz com a descoberta e ávido por um conselho fatal, prossegui a leitura:

Procura instalar tuas tropas em lugar espaçoso e vasto (…) e onde teus aliados possam, sem dificuldade, aportar-te a ajuda providencial.

Entendi: largo a merda do exercício, ligo pra rapaziada e me mando pra um bar.

É um conselho sábio demais pra essa altura do campeonato.

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Inconstitucional

6 junho, 2008

Era gostosíssima, chamava-se Magna e estava sempre com um sorriso nos lábios. No meio dos amassos que dávamos aqui mesmo no sofá, vi um desenho surgindo de sua cintura como se fosse alguma coisa que escapasse de sua calça apertadíssima. Parecia uma pena ou algo assim. Engraçado: não havia percebido aquilo antes. Peguntei-lhe num sussurro:

-Quantas tatuagens você tem?

-Uma

-Posso ver?

Com o mesmo sorriso lindo mas agora sacana, Magna me deixou prosseguir à expedição de descobrimento daquele corpo repleto de curvas. A tatuagem foi se revelando pouco a pouco, conforme eu baixava sua calça. No início era mesmo uma pena que na verdade era uma caneta que por sua vez parecia escrever algo. Sim, ela escrevia algo. Quando me dei conta do que era, dei um salto pra trás, tirei a mão de sua bunda redonda e encarei-a assustado. Ali em sua pele lisa e morena, estava tatuado:

Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.

-Que porra é essa, mulher?!

Ela, sem o sorriso no rosto, respondeu-me com uma voz aveludada enquanto molhava os lábios com a língua:

-Eu piro nessa história de os Poderes da União serem independentes e harmônicos…

Acordei assustado, suando frio, com os pés fora da cama, a cabeça longe do travesseiro e o pinto molengão. Levantei-me, fui à cozinha tomar uma água e passei pela sala, onde, no sofá, a Constituição Federal dormia placidamente.

Cheia de tatuagens.

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Pra quem não sabe ler.

21 maio, 2008

Livros. Eu sempre gostei de livros, sempre. Tenho um monte deles. Pra ser sincero, um dos meus sonhos é ter uma biblioteca particular. Nada grandioso, apenas uma sala vasta com algumas janelas, repleta de livros, uma poltrona e um abajur massa. Também vou por pregar em uma de suas paredes brancas minha camisa enquadrada do tricolor, aquela que tem vinte anos e em meu peito viu o São Paulo ser três vezes campeão do Brasil da América e do mundo. É isso: livros, poltrona, abajur, a camisa do tricolor na parede e mais nada. Ainda não pensei exatamente no estilo do abajur, mas a poltrona eu sei como ela é. Mas, enquanto minha aprovação não vem, prendo-me a meia dúzia de livros jurídicos que se acomodam do lado direito da terceira prateleira do meu quarto, bem acima de minha mesa e minha cadeira verde, que tem rodinhas e gira pra lá e pra cá, mas não é nem sombra da poltrona que vou colocar na minha sala iluminada, com livros para todos os lados.

Minha humilde bibliografia do mundão está no canto da estante, abaixo de outros livros que comprei em anos anteriores, numa época em que sempre os comprava, novos ou usados, quando podia me dar ao luxo de passar tardes inteiras enfiado num sebo qualquer do centro da Paulicéia. E então chego ao porquê do fragmento de hoje. Os títulos destas obras ganham uma significação misteriosa por se posicionarem exatamente acima dos meus livros de estudo.

Você não deve estar entendendo picas, né? Eu sei. Explico-me citando os livros e suas posições. Vai vendo:

Acima do livro Introdução a Economia está Mitologia dos Orixás; acima de Direito Tributário está PRAGA – quando os tanques avançam; acima de Comércio Exterior e Legislação Aduaneira está Pelos Bares da Vida; embaixo Curso de Direito Previdenciário, em cima Descobertas e Extravios; logo acima de Iniciação ao Direito do Trabalho está Crime e Castigo; Curso de Direito Constitucional está abaixo de Relações Perigosas; Direito Administrativo está exatamente acima de A Besta Humana; o Vade Mecum (grosso volume que traz uma infinidade de leis) está abaixo de O Livro do Riso e do Esquecimento; a própria Constituição Federal está ao lado de FIM – notas sobre os últimos dias do império americano; e pra finalizar, tem a famosa obra Curso de Contabilidade Básica bem abaixo da A Assustadora História da Maldade.

Entendeu, né?

Eu não sei se ligo pra Mãe Diná me ajudar a decifrar o que essas disposições em minha estante querem dizer ou se coloco minha coleção do Calvin no lugar desses livros todos.

E vamos ser campeões!

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Mano White.

17 abril, 2008

Nas últimas semanas, o tempo se tornou um artigo raro pra mim.  Tão raro quanto a grana. Será que é por isso que dizem que tempo é dinheiro? Pense nisso. Sei que dividir minhas 24 horas do dia entre um freela cabuloso, os estudos e as aulas, tá dureza. Acordo mais cedo, durmo mais tarde e ainda me faltam umas duas horinhas por dia pra que dê tempo de eu fazer tudo o que preciso.

Calma. Eu não estou reclamando. Não mesmo. Quer dizer, até hoje, não estava.

A empregada, a boa baiana que sempre quebra alguma coisa aqui em casa mas em compensação tem uma bela bunda, me deu o cano. Inflamou a garganta, ou algo que o valha. Só vem na semana que vem. Até lá, terei que conviver com a zoeira generalizada que se instalou em meu apartamento. Ele tá parecendo uma música dos Racionais, manja?

É mais ou menos isso:

Tá vendo aquela louça ali na beira da pia?

Tudo tava sujo

A água escorria

O ralo entupia

Ta vendo aquele pano ali do lado do sofá?

Os móvel empoeirado

No AP todo zoado

Num dá pra acreditar

Mas mano,

vou me manter firmão.

Seguindo meu caminho,

cabeça erguida e pé no chão

Cê tá ligado que toda essa merda vai passar.

Até aquela pilha de roupa,

que tá fora do lugar

No meio dessa sujeira

Eu vou ter que estudar

Fazer uns corres e trabalhar

E mesmo que esses pregos num queira

A prova eu vou arregaçar

Examinador cusão

Quer me fuder grandão

Vem com esse papo de  alternativa C

Cê  que se foda pra aprender

É nozes, tru.

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Na calada da noite.

28 fevereiro, 2007

Era uma tarde de sol, um sol que entrava pela janela aberta sem fazer cerimônia. Havia também um concurso que se aproximava. Não sei bem como eu sabia que estava prestes a fazer a prova fatal, mas o fato é que eu sabia. Talvez fosse pelo nervosismo que sentia, fruto da ansiedade voraz que consumia meu sossego até corromper minha concentração. Ou seria o simples fato daquele dia estar com toda a pinta de véspera (grande Guimarães!).
Sentei-me, espreguicei-me como de costume e antes de meu último ossinho estalar, percebi que meu rascunhos haviam sido roubados.

-Roubados? Como assim?

Também me espantei com estapafúrdio acontecimento. Como poderiam ter roubado meus rascunhos, de dentro do meu quarto, se moro sozinho e a empregada só viria amanhã? No mais, convenhamos que roubar meus rascunhos de Constitucional e Administrativo não é lá furto vantajoso, que fará o larápio gozar altos proventos. Mas não importa: o fato é que meus rascunhos não estavam ali e eu fora usurpado.

Levei as mãos a cabeça e pensei no assunto. Quem poderia ser o filho da puta que me roubou?

-O Gordinho sabichão.

Claro! Maldito CDF dos infernos! Fui atrás dele. Corri para a sala, abri a porta, me mandei pelo corredor e chamei o elevador. Curioso: aquele não era o corredor de meu apartamento, mas tudo bem. A nova síndica trocou o pessoal da limpeza e poderia ter aproveitado o embalo para mudar os corredores também. Será? O que sei é que, quando já estava lá pelo segundo andar, me dei conta que só trajava cuecas, deixando minha bela e pomposa pança balançando livremente no suave chacoalhar do velho e bom Atlas Schindler.

Acordei com o rádio, Bandeirantes, O Pulo do Gato, e as primeiras notícias do dia. Eu suava e, se não com medo, ao menos estava receoso. Antes de levantar, avistei meus rascunhos metidos do lado do Vade Mecum (um volume com sei lá quantos Códigos, Leis, Constituição, Súmulas e toda esta parafernália jurídica) e sorri aliviado.

Atualmente, até meus pesadelos estão mais nerds, mais bobalhões. Houve uma época em que eles pareciam contos de Allan Poe. Hoje, parecem ter sido escritos pelo Mário Prata.

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Ah, o verão!

11 janeiro, 2007

Depois da Bahia, Sampa. E esse comecinho de 2007 é só saudade do fim de 2006.

Saudades daquele clima fraterno e quente, de suas garçonetes espetaculares, da demora no serviço, das suas praias repletas de coqueiros e bundas que passavam pra lá e pra cá sob o sol retumbante que abençoa a terra de todos os santos.

Saudades de boiar infinitamente no mar, tomar uma breja gelada enquanto esperava nada acontecer, de jogar conversa fora com irmãos e irmãs sem qualquer compromisso, das baladas ébrias e divertidas, de ficar descalço o tempo todo a ponto de não mais saber se um dia meu pé voltará a ficar limpo.

Mas é a vagabundagem, é a preguiça impune e absoluta que mais me faz falta.
Ainda mais agora, que tenho uma tarde inteira de revisão de Direito Tributário.

Acho que vou tomar uma água de coco. Em caixinha.

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Ponto.

17 novembro, 2006

Calor.
Bermuda.
Descalço.
Pança pra fora.
Café.
Água gelada.
Grifos nos parágrafos importantes.
Entendimento.
Troca o grafite.
Memorização.
Lembra de quem é a competência?
Insegurança.
Sensações infinitas de saco cheio.
Distrações pecaminosas.
Culpa.
Esquecimento.
Impressão de nada saber.
Prova marcada.
Frio na barriga.
Vazio.
Não vai dar.
Tempo perdido.
Sem sabedoria.
Incertezas.
Será que dá?
Sem cultura.
Medo.
Sem arte.
Só arroz, feijão, um ovo frito com a gema mole, pronta para explodir.

E lá fora, ainda há todo um verão pela frente.

Eu tô precisando tomar uma cerveja.

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