Logo no primeiro curso que fiz no mundão, o professor de estatística e matemática financeira, um sujeito bonzinho que vivia deixando nas entrelinhas que viver em Curitiba era melhor que São Paulo, contou uma história dum cara que havia sido um dos seus melhores pupilos. O pequeno gafanhoto era engenheiro e, segundo contou o benevolente mestre, simplesmente desencanou de estudar estatística. Tinha visto a matéria na faculdade e, no final das contas, conta pra engenheiro é coxinha.
O cara ficou por um ponto.
Faltou-lhe justamente uma questão de estatística.
Lembro-me que pensei, assim que acabou a narrativa do professor, sujeito fraterno e ser humano evoluído, que o tal sujeito era uma besta.
Um burro.
Engenheiro, é certo, mas burro.
Acontece.
No caminho que trilho há quase 4 anos, ouvi várias e várias outras histórias dessas. Fulano ficou por um ponto, siclano também rodou por um ponto e até o beltrano, lembra?, exemplo de caderno bem organizado e que tinha todas a jurisprudência do STF na ponta língua, não passou por faltar-lhe um ponto.
Todo mundo no mundão conhece uma história dessa.
Ninguém as conta em primeira pessoa.
Pois aí vai: eu fiquei por um ponto. Acertei questões pra cacete na prova pra Auditor da Receita, gabaritei três provas, quebrei as provas de contabilidade e tributário, mas não consegui o mínimo em Economia.
Faltou exatamente um ponto.
O resultado final não saiu mas das estimativas que vi sobre a nota mínima de classificação para a próxima fase eu passo com largas sobras.
Mas sem o mínimo em Economia, nada feito.
Rodei.
Curioso é que, passado o abalo natural e a frustração dilacerante que passei nos últimos dias, sinto-me bem. Não digo que é uma sensação de dever cumprido, mas que ele está prestes a sê-lo.
Estou perto.
Estou muito perto e chego a sentir o cheiro da repartição.
E saber disso é bom.
Saber que a distância é longa, mas não é infinita, é bom.
Você pode dizer que é uma desculpa pelo fracasso.
Pode até ser.
Mas hoje eu tenho uma certeza inabalável, uma convicção que estremece catedrais de que o fim da trilha está próximo e que logo estarei instalado estavelmente em minha vitória.
E quem sabe, numa mesa ao lado de fulano, beltrano e siclano.
