Arquivo da categoria ‘ACDC’

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Do dia em que vi o poderoso senador fugir do velho comedor de morcegos.

5 abril, 2011

Saio da Biblioteca Nacional, onde passei a manhã estudando Economia e as malditas curvas IS-ML, sob uma fina garoa que ao menor vacilo enxarca-lhe dos pés à cabeça. Contorno apressado a  gigantesca bola branca que o Niemeyer colocou no meio da praça para ser um museu na vã esperança de não me molhar. A chuva aperta e não tenho guarda-chuvas, combinação perfeita para a correria que empenho até ponto de ônibus em frente a Catedral, na Esplanada dos Ministérios. Mal me acomodo ofegante entre o povo que ali se abrigava da chuva e vejo um senhor de vasto bigode pendurado de ponta cabeça na marquise.

-Zé?

Ele levou a ponta da asa aos lábios fazendo-me sinal de silêncio.

-Fala baixo, cabra. Se não, me acham.

Diminuí o tom, transformando minha fala num sussurro:

-Mas o que faz você aqui, senador? Sua casa não é aquela pica entre as meias bolas, quase no fim da Esplanada?

-É.

Ele acomodou melhor as asas outrora esmagadas por uma gorda que saiu para pegar seu ônibus que acabara de chegar.  E então prosseguiu com um acentuado sotaque maranhense. Ou seria do Amapá? Não sei, sinceramente. Não compreendo muito bem essa forma de expressão:

-Lá estou há décadas, desde que era um camundonguinho inofensivo que vivia de raspas e restos deixadas por ratos maiores. Hoje é minha casa e lá mando. Ninguém nela age, pensa, governa, vota ou pega sobra alguma sem minha benção.

-E o que faz o senhor aqui, velha ratazana? Não estará o senhor em horário de serviço? Não há o que ser feito em sua casa?

Ele riu alto, não sei se pelo tratamento que lhe deferi ou se por eu falar em trabalho, mas logo abafou o riso com uma tosse rasgada,  mostrando os caninos pontiagudos. Pigarreou e limpou o bigode com a ponta das asas escrotas. Olhou para os lados desconfiado e pediu que eu me aproximasse. Recuperou o tom covarde da voz e falou-me então ao pé do ouvido, fazendo-me sentir seu hálito infernal:

-Não sabe quem está na cidade?

Fiz que não com a cabeça.

-Aquele tal comedor de morcego.

E concluiu com a voz trêmula:

-O excelentíssimo senhor Osbourne.

A chuva parou  e as sombrinhas se fecharam. O sinal ficou vermelho e eu virei-me para acompanhar um grupo de pessoas que atravessava a mega avenida de sei lá quantas pistas do Eixo Monumental. Entre elas, dois garotos de camisas pretas estampadas com a carona alucinada do Ozzy Osbourne. Voltei-me para o velho senador mas ele já não estava lá. Havia voado por sobre a Biblioteca Nacional,  rumo Asa Sul.

Sei não. Acho que esse morcego nem o Ozzy pega.

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For those about to rock.

27 novembro, 2009

Aconteceu há mais ou menos duas décadas. Mais, sejamos sinceros, não menos.
Um rapazinho encrenqueiro e cheio de ideais sai exausto e ainda alto do Ginásio Doutor Neves, em Jaú, após um show do Ultraje a Rigor.
O ano era “Nós vamos invadir sua praia”.
Era o primeiro show de Rock de sua vida. Saiu com alguns amigos e as garotas que conheceram durante o espetáculo. De lá, após apavorarem alguns sandubas no velho trailer que ficava às margens do rio Jaú, o grupo ainda se via animado para prolongar a balada, que por falta de opções na acanhada cidade, limitou-se ao banco traseiro dos carros dos seus pais.
Quando enfim o rapazinho chegou em casa e se deitou em sua estreita e imaculada cama de solteiro, no quarto que dividia com o irmão mais novo, demorou-se um bocado até que o sono chegasse. A adrenalina da noite estatelava-lhe os olhos. Ali, fitando o teto, ele teve duas certezas absolutas: aquela noite jamais seria esquecida e que o Rock and Roll era parte de sua vida.

Muitos e muitos shows se passaram desde então. O rapazinho de Jaú se mandou de casa, virou publicitário e depois resolveu entrar pra máquina do Estado. Hoje vai ver o AC/DC pela segunda vez em sua vida. Tenta estudar alguma coisa antes que um de seus velhos amigos chegue do interior para assistir à banda australiana que ouvem há décadas. Trata-se do único amigo remanescente daquele show do Ultraje a Rigor.
O único que pegou o mesmo caminho.

Muitas coisas na vida desaparecem com o tempo. Pessoas vão e voltam, paixões avassaladoras tornam-se simpatias ordinárias, heróis viram vilões. As encruzilhadas nos levam para lugares cada vez mais distantes. Pode ser o o destino planejado, pode não ser. Nem sempre há uma bela praia baiana no final da trilha. Mas ela existe, há de se estar certo disso. O fato é que no trajeto se aprende que certas coisas passam. Outras são eternas. Pra onde quer que você vá, elas estarão ali, ao seu lado.
Ou correndo em  suas veias.

Como o Rock.
Como os amigos.

E que se foda a contabilidade nacional! Eu vou abrir uma cerveja, meter o Highway to Hell de minha adolescência no toca discos e esperar o velho e bom Aló lá da varanda.

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Jailbreak.

24 novembro, 2009

Terminou a aula e eu sai rapidamente da sala. Subi a escada rolante a passos largos e rápido como quem rouba, tomei a plataforma do metrô de assalto. A pressa, tão típica em São Paulo como sua garoa, espelhava em mim não a característica de um povo que não pára mas a ferramenta de um ladrão soturno. Eu não estava atrasado, estava fugindo.
O metrô demorou a chegar. Meu I Pod genérico enchia meus ouvidos com os inconfundíveis acordes de Angus Young e eu o acompanhava com o bater do pé e um leve sacudir de cabeça. Há aí também mais que aquele inconfundível som de guitarra, mas doses exageradas de ansiedade. Eu precisava me mandar dali o quanto antes.
E a fuga teve um final infeliz quando fui enquadrado por um colega concurseiro:
-Que aula, hein?
Eu sabia: se me alcançasse, ele falaria sobre a aula, sobre a prova que está por vir, sobre as que passaram e sobre tudo o que vem estudando.
Fui capturado.
Tirei então os fones do ouvido e me rendi.

Gente boa toda a vida, esse concurseiro está há muito tempo no mundão. Jamais conversei com ele algo que não fosse concursal. Pra mim, tudo bem, mas não nesta noite. Estava cansado depois de 4 horas de tributário, na mesma sala apertada do fim de semana. É um cansaço que vem das últimas semanas de uma rotina desgastante come-estuda-dorme. Eu não queria mais falar de concurso. Há um mundo inteiro fora das salas de aula e se o momento não permite aproveitá-lo por inteiro, deixe-me sozinho para ao menos espiar pela janela enquanto volto para a simplicidade do meu lar.
-Nossa, eu acho esse professor um monstro, viu? Você gosta das aulas dele?
Desta vez não havia a gorda varejeira, mas sim um raquítico e curvo pernilongo CDF que vinha zunir em minha orelha tudo o que eu ouço há meses.

Entramos no vagão e ele continuou falando sobre a última questão resolvida na aula, um lance sobre a não cumulatividade do IPI. E quando a Estação Sé chegou, ele já falava sobre a manter a atenção em questões que trazem implícitas o entendimento do STF.
Fizemos a baldeação e entramos num vagão cheio. Minha cabeça explodia. E de repente, ele afrouxou as algemas do conhecimento tributário
-Você escuta alto o som, né?
Esqueci-me de dizer ao leitor amigo e a bela leitora que não havia desligado meu tocador de MP3. Os fones pendurados no meu peito chiavam um AC/DC violentíssimo. Aproveitei a deixa e me livrei das amarras:
-Rock and Roll, né cara? Não dá pra ouvir um rock baixo. Se eu ouço um Chico, um samba ou mesmo um som Pop, ouço mais baixo. Mas AC/DC tem que ser alto. Aprendi com o Gene, sabe? O da língua? I Love It Loud, lembra? O cara que cospe sangue e come pintinhos vivos no palco, lembra dele? Não? Porra, ainda bem que não cai conhecimentos gerais nessa prova, né?
-Pois é, mas bem que…
-Me diz: você ouviu o novo do Metallica?

Passei a falar do disco (disco?) novo do Metallica. Disse que achei uma puta sonzeira. Depois de anos, os caras voltaram a fazer um som massa.
-Porra, quando ouvi esse disco, foi como se estivesse me encontrando com velhos amigos, sabe?
Ele disse que sabia. Mas não sabia porra nenhuma. Foda-se. Eu prossegui.
-Depois do Álbum Preto, os caras fizeram dois discos péssimos. Não tinha peso, não tinha rock, não tinha gana, não tinha nada. Dois discos insossos. Aí eles lançaram o St. Anger, manja?
-Não.
-Pois nem queira. Na verdade, o disco tem um lado positivo: mostra que os caras voltaram a fazer um som pesado. Mas é chato. Chato paca. O St. Anger é um aviso do Metallica. É como se eles dissessem “aí rapa, a gente vacilou nos últimos dois discos mas não perdemos a mão. Foi um vacilo. Foi mal. Mas voltamos a velha trilha. Tenham calma que estamos chegando de novo”. E veio esse disco novo, o Death Magnetic: ducaraio! Um puta dum som, cara. Vale muito a pena ouvir.

As estações se sucediam e eu não parava de falar. Sua aflição era notória. Ele precisava falar sobre concurso público mas eu não dava chance. Sentia que perdia tempo conversando com alguém que falava de qualquer coisa que não fosse a maldita prova. Percebi quando ele olhou para os lados procurando outra pessoa, um outro concurseiro que falasse de coisas mais legais, mais contábeis, mais gramaticais, mais estatísticas, mas lógicas. Ele tentou retomar as rédeas da conversação e acho que ouvi ele balbuciar a palavra “edital”. Mas eu o atropelei com a fúria do Motorhead e tão rápido como as porradas sonoras de Lemmy, voltei a falar sem parar.
Até que parei.

Na estação Paraíso, muita gente desceu e então eu vi, sentadinhas ao lado da janela, duas lindas surdas-mudas conversando. Não sei desde quando estavam lá, mas me encantaram de pronto. Tão lindas, tão felizes e tão tagarelas. Conversavam animadamente em gestos largos e risos fartos, numa alegria contagiante. Ele se aproveitou do vacilo e voltou a papo do IPI e a porra da cumulatividade na isenção do meio da cadeia tributária.
Mas aí, já era tarde.

Eu estava surdo para suas ponderações tributárias.

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TNT.

18 novembro, 2009

Era sábado.
Fazia sol.
Fazia um puta sol.
Sem piano, a praça Dom José Gaspar abrigava um samba de responsa regado a muita cerveja gelada bebida sem dó por um povo animado que se espalhava por dezenas de mesas.
Há poucos metros dali, algumas dezenas de pessoas assistiam aula de Direito Previdenciário.

Advinha onde eu estava?
Advinhe onde eu queria estar?

Pula.

Era sábado.
A sala apertada como no sete e meio do Eu Quero Ser John Malkovitch, repleta de alunos amontoados por todos os cantos.
Tudo fechado e o ar condicionado não dando conta do recado.
Ao meu lado, uma gorda simpática.
Sala apertada, gorda simpática. Combinação indigesta.
Na minha frente, um cara fedido.
Fedido mesmo.
Atrás, um tiozinho careca cheio de piadas tolas e um cara que, embora errasse todas as questões, julgava-se o próprio auditor da Receita Federal.
A gorda se mexia pra caramba. Perceba: nada tenho contra gordas. Mas nada tenho a favor de gordas cheia de simpatia e movimentos em uma sala minúscula. Volta e meia ela esbarrava seus braços carregados de banha e pulseiras em mim.
-Ai, desculpa.
-Imagina.
-Estou muito desajeitada hoje. Você deve estar me odiando…
Dou um breve sorriso. Melhor a gorda ser apenas simpática e não leitora de mentes.
Volto à aula e lá na frente, um carioca divertido com a cara do Ritchie “Menina Veneno” fala sobre contribuições previdenciárias.
É um puta rolo.
Passa uma mosca pela décima vez zunindo em minha orelha. Eu sei que não é a mim que ela quer, mas o fedidão da minha frente está se abanando sem parar.
O abanador é a mosca na sopa da mosca.
A minha é a gorda varejeira.
Outra piada zune atrás de mim. O burro relincha outra resposta equivocada e desta vez, culpa a questão.
-Essa banca examinadora não sabe formular perguntas.

Fecho os olhos e só penso numa coisa: “Deus tem que estar me vendo agora”.

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Hard as a rock.

29 outubro, 2009

Tem churrasco na varanda.
Tem visita de irmão.
Tem vinho com filme e moça bonita.
Tem almoço com meus pais.
Tem filme novo do Tarantino.
Tem aniversário de amigo do peito.
Tem open house de gostosas.
Tem o tricolor no Morumbi.
Tem pôquer com a rapa.
E eu entre um artigo constitucional e uma pergunta ao professor; entre um lançamento contábil e um Incoterm; entre uma decoreba de auditoria e um privilégio do crédito tributário; entre o frio ar condicionado da sala de aula e um café espresso do botequim da praça Dom Gaspar.
Longe dos amigos, longe das arquibancadas, longe da boemia, longe dos amores passageiros e flertes infinitos.

E cada vez mais perto.

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Hell’s Bells.

19 outubro, 2009

Numa aula, o professor, muito religioso, diz que Deus ajuda aos concurseiros de bom coração. Mas tem que estudar. O lance é ajudar o Homem a te ajudar, manja?

Quem estuda, Deus ajuda.

O segredo é rezar e estudar.

Rezar ajuda. Ajuda muito, segundo as palavras carregadas de sotaque do mestre nordestino. Mas eu não rezo.

Não sou ateu. Muito pelo contrário. Sou Politeísta. Pra mim, eles estão todos lá: Deus, Buda, Alá, Zeus, Tupã, Oxalá e outros manda chuvas celestiais.  Um dia escreverei com calma sobre minhas teorias teológicas, mas não hoje. Hoje, falo de orações.

E falo com todo respeito. Respeito todas as religiões e seus devotos e a minha fé são todas.

Também tenho fé em mortais. Tipo Chico Buarque, Angus Young, Malu Mader, Riggs, Pita, Careca e Muller e John MacLane.

E o Ozzy?

O Ozzy é imortal. E vamos em frente.

Creio em todos esses entes supremos e não acho que Deus é um só.

Cada Um, cada Um.

Mas não é por que creio em todos que sou lá muito devoto.

Se a fé for ser medida por freqüência a cultos ou orações, estou mais pra pagão que peregrino. A última vez que fui a uma igreja foi no batizado de minha sobrinha.

Eu era o padrinho.

Também nunca fui bom em rezar.

Nunca.

Quando eu era criança, rezava. Mas aquelas orações nada me diziam. Ainda hoje não dizem. Então, não rezo.

Mas não é por isso que não tenho fé. Ou que não acredito. Acredito, sim Senhores.

Mas não rezo. E também não sou bom de pedir coisas.

Manja? Eu nada peço.

Não é orgulho nem arrogância. É pavor do incômodo.

Não quero amolar ninguém, entende?

Não pense que acho isso uma virtude. É um puta dum defeito, uma desvantagem absurda. Certa vez, Felix, o goleiro da Copa de 70, disse numa entrevista incrível que o futebol é uma parábola da vida e que, como nos gramados, quem se desloca recebe. E quem pede tem preferência.

E não é?

Eu saio de trás dos zagueiros e me antecipo à marcação mas cansei de perder gol por não pedir a bola.

Vai ver é timidez.

Vai ver é medo.

Vai ver é um monte de coisas que alguém pode explicar. Tipo o Freud. Mas aí o diabo vai dar uns toques e não é caso.

Ao menos não agora.

O fato é que nessas, nada peço aos Céus.

Mas isso não é de todo mal. Se não peço, também não faço promessas.

Minhas dívidas com o andar de cima estão zeradas.

Ao menos, a curto prazo.

Enfim, digo tudo isso porque esse lance de que Deus ajuda os concurseiros que rezam me deixou cabreiro. Cheguei a ensaiar umas orações, mas tudo foi muito estranho, meio falso, manja?

Eu continuo meio sem entender o que diz as orações. Eu as tenho decoradas há décadas, como artigos de lei ou fórmulas de estatística, mas não as entendo, como vários artigos legais ou fórmulas de estatística.

Mas orações não caem na prova. Ao menos não na minha.

E agora, José?

Agora é o seguinte: descolei uma aliada.

Ela não é onipresente, não fez da água o vinho, não atravessou desertos, não foi seguida por discípulos tampouco pensou em salvar a humanidade. Mas, além dela encher a vida dos meus de luz e alegria, ainda faz um pão com bife que deixaria Jerusalém de joelhos.

Trata-se de minha adorável mama.

Temos tudo planejado: ela reza, eu estudo.

Mas se porventura na prova eu marcar alternativa D de Deus e der B de Burro, mandarei os Céus ao inferno.

hells bells

Ou aprenderei a rezar.

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Have a drink on me.

3 outubro, 2009

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A coisa de duas semanas saiu o edital da Receita Federal. Conforme eu havia previsto no fim do ano passado, a prova vai rolar no final deste ano.

-Toma essa, Jair!

Havia uma expectativa de que algumas matérias sairiam para dar lugar a outras e a todos era recomendada atenção e calma. Havia alguma tensão no ar. Desde que decidi fazer esse concurso, há pouco menos de dois anos, ouço todo tipo de história sobre a prova. Tudo parecia ser possível mas optei por fazer como a maioria e estudei as matérias do último edital. Se viessem novidades, eu correria atrás quando elas fossem confirmadas. E elas vieram: pouca coisa saiu, muita entrou. Muita mesmo.

Dois dias depois da publicação do edital, me joguei no Centrão atrás das matérias novas. Na prova da Receita, não dá pra desencanar de nenhuma disciplina pois é exigida nota mínima em cada uma. Se você não tiver 40% de cada uma delas, dança.

Treta, bichão. Receita Federal é treta.

Treta pra mim e para os concorrentes pois para os donos de cursinho é vaca. Vaca gordíssima.

Matriculo-me numa pá de cursos e gasto os tubos. Esquematizo uma espécie de força tarefa com meus neurônios e comunico a todos os que ainda me sobram que o bicho vai pegar pro lado deles. Abro um novo cronograma em cima de minha mesa. Até a prova, dias 5 e 6 de dezembro, há apenas um fim de semana sem aula.

Um.

Justamente o fim de semana do show do AC/DC.

Pena você não poder ouvir minha gargalhada.

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