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Domingo.

11 dezembro, 2011

Quando dá quase onze da manhã, capricho uma dose e sigo alimentando-a, com gelo e uísque, até que saia o almoço. Nesse intervalo, leio o jornal, acesso a internet ou bato umas linhas nesse Word que não me deixa escrever errado sobre linhas tortas: as linhas são geometricamente perfeitas e os erros grifados para que não me escapem. Mas deixo-os livres para infestarem meus pensamentos. Errar é meu sobrenome. Meu nome, já não me lembro.

Enfim, seja lá onde eu estiver nessa casa que me tem toda a infância gravada em cada canto, sinto o cheiro da comida sendo preparada no fogão. Mais uma dose? É claro. É claro que eu estou afim.

Se o cheiro do rango que enche minha boca d’água me encontra em qualquer lugar da casa, a Gal Costa que soa no radio-cd da cozinha só me pega quando estou nas imediações do fogão. E creia, é muito bom. Gosto da voz dela mas, a essa altura, já não sei se pelo dom vocal da nobre baiana, se por ouvi-la por toda minha vida em meio as cantaroladas da minha mãe, sua fã absoluta, ou se pelos efeitos do camarada blended scotch whisky Chivas Regal.

É isso que rola agora aqui em casa, aqui em Jaú nesse domingo de sol radiante e céu de Brigadeiro: cheiro de boa comida, o dueto Gal Costa e dona Helena e eu, já meio baludo pelo iscótchi on the rocks, com a fome de uma legião romana.

Cara, vou te dizer: momentos como estes são os que fazem dessa bostinha de cidade um lugar inesquecível.

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