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TNT.

18 Novembro, 2009

Era sábado.
Fazia sol.
Fazia um puta sol.
Sem piano, a praça Dom José Gaspar abrigava um samba de responsa regado a muita cerveja gelada bebida sem dó por um povo animado que se espalhava por dezenas de mesas.
Há poucos metros dali, algumas dezenas de pessoas assistiam aula de Direito Previdenciário.

Advinha onde eu estava?
Advinhe onde eu queria estar?

Pula.

Era sábado.
A sala apertada como no sete e meio do Eu Quero Ser John Malkovitch, repleta de alunos amontoados por todos os cantos.
Tudo fechado e o ar condicionado não dando conta do recado.
Ao meu lado, uma gorda simpática.
Sala apertada, gorda simpática. Combinação indigesta.
Na minha frente, um cara fedido.
Fedido mesmo.
Atrás, um tiozinho careca cheio de piadas tolas e um cara que, embora errasse todas as questões, julgava-se o próprio auditor da Receita Federal.
A gorda se mexia pra caramba. Perceba: nada tenho contra gordas. Mas nada tenho a favor de gordas cheia de simpatia e movimentos em uma sala minúscula. Volta e meia ela esbarrava seus braços carregados de banha e pulseiras em mim.
-Ai, desculpa.
-Imagina.
-Estou muito desajeitada hoje. Você deve estar me odiando…
Dou um breve sorriso. Melhor a gorda ser apenas simpática e não leitora de mentes.
Volto à aula e lá na frente, um carioca divertido com a cara do Ritchie “Menina Veneno” fala sobre contribuições previdenciárias.
É um puta rolo.
Passa uma mosca pela décima vez zunindo em minha orelha. Eu sei que não é a mim que ela quer, mas o fedidão da minha frente está se abanando sem parar.
O abanador é a mosca na sopa da mosca.
A minha é a gorda varejeira.
Outra piada zune atrás de mim. O burro relincha outra resposta equivocada e desta vez, culpa a questão.
-Essa banca examinadora não sabe formular perguntas.

Fecho os olhos e só penso numa coisa: “Deus tem que estar me vendo agora”.

 

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Hard as a rock.

29 Outubro, 2009

Tem churrasco na varanda.
Tem visita de irmão.
Tem vinho com filme e moça bonita.
Tem almoço com meus pais.
Tem filme novo do Tarantino.
Tem aniversário de amigo do peito.
Tem open house de gostosas.
Tem o tricolor no Morumbi.
Tem pôquer com a rapa.
E eu entre um artigo constitucional e uma pergunta ao professor; entre um lançamento contábil e um Incoterm; entre uma decoreba de auditoria e um privilégio do crédito tributário; entre o frio ar condicionado da sala de aula e um café espresso do botequim da praça Dom Gaspar.
Longe dos amigos, longe das arquibancadas, longe da boemia, longe dos amores passageiros e flertes infinitos.

E cada vez mais perto.

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Hell’s Bells.

19 Outubro, 2009

Numa aula, o professor, muito religioso, diz que Deus ajuda aos concurseiros de bom coração. Mas tem que estudar. O lance é ajudar o Homem a te ajudar, manja?

Quem estuda, Deus ajuda.

O segredo é rezar e estudar.

Rezar ajuda. Ajuda muito, segundo as palavras carregadas de sotaque do mestre nordestino. Mas eu não rezo.

Não sou ateu. Muito pelo contrário. Sou Politeísta. Pra mim, eles estão todos lá: Deus, Buda, Alá, Zeus, Tupã, Oxalá e outros manda chuvas celestiais.  Um dia escreverei com calma sobre minhas teorias teológicas, mas não hoje. Hoje, falo de orações.

E falo com todo respeito. Respeito todas as religiões e seus devotos e a minha fé são todas.

Também tenho fé em mortais. Tipo Chico Buarque, Angus Young, Malu Mader, Riggs, Pita, Careca e Muller e John MacLane.

E o Ozzy?

O Ozzy é imortal. E vamos em frente.

Creio em todos esses entes supremos e não acho que Deus é um só.

Cada Um, cada Um.

Mas não é por que creio em todos que sou lá muito devoto.

Se a fé for ser medida por freqüência a cultos ou orações, estou mais pra pagão que peregrino. A última vez que fui a uma igreja foi no batizado de minha sobrinha.

Eu era o padrinho.

Também nunca fui bom em rezar.

Nunca.

Quando eu era criança, rezava. Mas aquelas orações nada me diziam. Ainda hoje não dizem. Então, não rezo.

Mas não é por isso que não tenho fé. Ou que não acredito. Acredito, sim Senhores.

Mas não rezo. E também não sou bom de pedir coisas.

Manja? Eu nada peço.

Não é orgulho nem arrogância. É pavor do incômodo.

Não quero amolar ninguém, entende?

Não pense que acho isso uma virtude. É um puta dum defeito, uma desvantagem absurda. Certa vez, Felix, o goleiro da Copa de 70, disse numa entrevista incrível que o futebol é uma parábola da vida e que, como nos gramados, quem se desloca recebe. E quem pede tem preferência.

E não é?

Eu saio de trás dos zagueiros e me antecipo à marcação mas cansei de perder gol por não pedir a bola.

Vai ver é timidez.

Vai ver é medo.

Vai ver é um monte de coisas que alguém pode explicar. Tipo o Freud. Mas aí o diabo vai dar uns toques e não é caso.

Ao menos não agora.

O fato é que nessas, nada peço aos Céus.

Mas isso não é de todo mal. Se não peço, também não faço promessas.

Minhas dívidas com o andar de cima estão zeradas.

Ao menos, a curto prazo.

Enfim, digo tudo isso porque esse lance de que Deus ajuda os concurseiros que rezam me deixou cabreiro. Cheguei a ensaiar umas orações, mas tudo foi muito estranho, meio falso, manja?

Eu continuo meio sem entender o que diz as orações. Eu as tenho decoradas há décadas, como artigos de lei ou fórmulas de estatística, mas não as entendo, como vários artigos legais ou fórmulas de estatística.

Mas orações não caem na prova. Ao menos não na minha.

E agora, José?

Agora é o seguinte: descolei uma aliada.

Ela não é onipresente, não fez da água o vinho, não atravessou desertos, não foi seguida por discípulos tampouco pensou em salvar a humanidade. Mas, além dela encher a vida dos meus de luz e alegria, ainda faz um pão com bife que deixaria Jerusalém de joelhos.

Trata-se de minha adorável mama.

Temos tudo planejado: ela reza, eu estudo.

Mas se porventura na prova eu marcar alternativa D de Deus e der B de Burro, mandarei os Céus ao inferno.

hells bells

Ou aprenderei a rezar.

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Have a drink on me.

3 Outubro, 2009

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A coisa de duas semanas saiu o edital da Receita Federal. Conforme eu havia previsto no fim do ano passado, a prova vai rolar no final deste ano.

-Toma essa, Jair!

Havia uma expectativa de que algumas matérias sairiam para dar lugar a outras e a todos era recomendada atenção e calma. Havia alguma tensão no ar. Desde que decidi fazer esse concurso, há pouco menos de dois anos, ouço todo tipo de história sobre a prova. Tudo parecia ser possível mas optei por fazer como a maioria e estudei as matérias do último edital. Se viessem novidades, eu correria atrás quando elas fossem confirmadas. E elas vieram: pouca coisa saiu, muita entrou. Muita mesmo.

Dois dias depois da publicação do edital, me joguei no Centrão atrás das matérias novas. Na prova da Receita, não dá pra desencanar de nenhuma disciplina pois é exigida nota mínima em cada uma. Se você não tiver 40% de cada uma delas, dança.

Treta, bichão. Receita Federal é treta.

Treta pra mim e para os concorrentes pois para os donos de cursinho é vaca. Vaca gordíssima.

Matriculo-me numa pá de cursos e gasto os tubos. Esquematizo uma espécie de força tarefa com meus neurônios e comunico a todos os que ainda me sobram que o bicho vai pegar pro lado deles. Abro um novo cronograma em cima de minha mesa. Até a prova, dias 5 e 6 de dezembro, há apenas um fim de semana sem aula.

Um.

Justamente o fim de semana do show do AC/DC.

Pena você não poder ouvir minha gargalhada.

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Telecurso.

26 Agosto, 2009

A noite fria e uma apostila de informática faziam-me companhia em mais uma terça de agosto na Paulicéia. Redes de computadores e goles de café. As topologias barramento, anel e estrela se distribuem pelas arquiteturas Ethernet, Token Ring e a popularíssima Wi-Fi. As placas de rede interligam computadores utilizando cabos (coaxial, par-trançado, fibras óticas) ou ondas eletromagnéticas, Hubs ou Switchs. Na boa? Prefira o Switch. Imagine o seguinte: chega uma carta no seu prédio endereçada a você. Note: você vive a 28 andares do chão. Caso seu prédio empregue o porteiro Switch, ao ter a carta em mãos, ele a levará diretamente ao seu apartamento. Caso na portaria trabalhe o seu Hub, ele vai passar por todos os apartamentos do prédio (que tem, imaginemos, 6 apartamentos por andar), perguntando no abrir de cada uma das 168 portas:
-Boa tarde. Essa carta é pra você?

De minha autoria, só os números. O exemplo é de João Antônio, o mestre da informática no mundão. Na aula da manhã, disparou essa e outras tantas comparações cotidianas. João tem a manha de trazer o complexo micro mundo nada virtual do tráfego de sinais elétricos para o nosso simples e mortal dia-a-dia. De repente, segmentos de rede se tornam cidades, redes viram países e roteadores passam a ser postos alfandegários, controlando e organizando o tráfego de informação nas fronteiras entre as redes de computadores. Imaginei-me já estável, trabalhando num roteador, organizando pacotes repletos de bits e destinando-os aos seus respectivos IPs. Vez ou outra, negaria um visto. Haveria de chegar a mim certos carregamentos não autorizados. Carimbaria a negativa com a convicção de um ato vinculado enquanto diria a milhares e milhares de megabytes, olhando-os por cima do óculos:
-Nessa rede, vocês não entram.
Alheio aos protocolos administrativos, um bit reclamaria indignado. Insuflado por trilhares de zeros e uns, com o passaporte negado em riste, o bit inconformado denunciaria a absurda incompetência do sistema:
-Mas foi o Hub que nos mandou pra cá!
-Amigão, no concurso pra Hub não cai Raciocínio Lógico. Próximo.

Tempo pra tomar ar. Ar frio, chocolate quente. Enquanto esquento o leite, redescubro que não tenho canela. Num instante, lembro-me que esqueci de comprar. Comprei leite, comprei chocolate. Canela não. Ligo a tv e dou um breve rolê pelos canais. Notem: breve porque tenho poucos canais. Gosto de passear pela programação enquanto me preparo para o último turno. A depreciação da caxola aqui é acelerada, bicho. Ainda há mais uma breve leitura nessa história toda de redes. E de repente, meu controle remoto me leva para a Rede TV, programa Super Pop.
Na tela, frente a frente, Luciana Gimenez e Sabrina Sato.

Mais Hub impossível, João.

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Atualizando.

20 Julho, 2009

O incrível sumiço do homem transparente.

Se vocês querem uma teoria da conspiração, aí vai: Michael não morreu e nem foi para uma ilha encontrar o Elvis, mesmo por que o Elvis já morreu e vamos acabar com esse papo. Já o Michael, que era preto e virou branco, finalmente está transparente. E está por aí, dando pulinhos e rodopiando. Gritinho ele não dá para que não percebam sua presença. Michael quer curtir uma de desconhecido, andar com liberdade pelas ruas e, por que não, dar um balão nos cobradores. Onde ele está eu não sei. Pode ser Los Angeles, Nova Iorque, Pequim, Nova Déli, Montreal, Paris, Jahu ou Torrinha. Vai saber. O que pode se dizer é que, antes do sumiço, Michael levou um papo com Ulisses.

Ulisses Guimarães.

E tem mais: daqui uns anos, O Zeca Camargo vai anunciar no Fantástico o sucesso de um artista polonês que tem 1 bilhão de acessos no You Tube. O polonês, que é loiro, de olhos claros e sem nariz, faz um puta som, solta gritinhos e dança pacaraio.

Seu nome: Mikhail.

Pontos de vista sobre o mito que desapareceu.

“No mundo dos Trapalhões, o Michael Jackson era um Mussum que foi virando um Dedé”.

Essa genialidade é do Fábio. Sensacional, hein Careca?

O maior piolho da história da República.

Logo da campanha “Xô Sarney” que rola há alguns anos em blogs e alguns muros e camisetas do Amapá.

Logo da campanha “Xô Sarney” que rola há alguns anos em blogs e alguns muros e camisetas do Amapá.

José Sarney é governo desde o JK. Juscelino, bicho. Faz tanto tempo que já virou minissérie.

Foi-se o JK, veio o Jânio que renunciou e chegou o Jango. Lá estava Sarney, na aba dos homens das Reformas de Base. Caiu Jango no golpe militar e durante toda a ditadura, Zé Sarney esteve ao lado dos milicos, dando seu apoio à tortura, mortes, exílios, censura e outras covardias que alguns homens fardados costumam carregar na patente e na cintura. Os militares saíram de fininho, mas Sarney resolveu dar uma esticadinha pra ver como são as coisas na democracia. Virou presidente sem ser eleito (mesmo indiretamente) e depois, pouco a pouco, engendrou-se ao lado de Collor, Itamar, FHC e, finalmente, Lula.

Agora, vamos falar sério: dá pra ficar indignado com o fato de um sujeito desses julgar ser dele o que é público?

É o mesmo que ficar soltando impropérios contra o Lobo Mau que quer comer a Chapeuzinho. Tem é que dar um tiro nessa porra de lobo! Vamos espremer esse piolho. Tem outros, eu sei, mas podemos começar pelo Sarney, senador do Amapá (Amapá: o cara, realmente, é um artista).

Ou vamos ficar aqui, sentados no trono do apartamento, com a boca escancarada e cheia de dentes, esperando o Ulisses ligar.

Na luta.

O Maguila gravou um CD. De samba. Olha isso.

Disse numa entrevista que os amigos costumavam dizer que ele cantava bem. Como ele sempre gostou de cantar e atualmente andava meio de bobeira, resolveu gravar uns sambas. Pra mim, o Maguila nunca soube falar. Mas também, eu não sou amigo do cara. Só acho que ele deve mandar um CD pro Holyfield.

É nocaute, campeão!

Tá rolando.

Com a iminente adesão do futebol à lista dos esportes mais chatos do mundo, ao lado do glorioso vôlei (e todas as suas variações), futebol americano e beisebol, um novo esporte vem ganhando multidões nas arquibancadas tupiniquins: o Tiro ao Gordo.

Foda é acertar o desgramado.

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O orgulho da Branca de Neve.

29 Junho, 2009

Rapaz, o Dunga é que estava certo.
Né?
Taqueopá, bicho, ontem foi demais. Há muito, como disse a namorada de um velho amigo, não ouvia a cidade comemorar gols da seleção brasileira com tanta vontade.
Quem diria, né?
Ele peitou todo um país, o país do futebol, enfrentando todo tipo de crítica procedente ou não: foi um jogador limitado, é inexperiente como técnico, é feio paca, não sabe nada de esquema tático, tem essas orelhas de duende e ainda por cima se veste mal. Que camisa é essa, bicho?
Foi a filha dele que desenhou?
Ô loco, bicho! Tira a tesoura da mão dessa menina e paga um curso de Administração de Empresas na GV pra ela.

O Dunga venceu de novo.
Como em 1994, depois de ser achincalhado pela Copa de 90, o cara venceu.
Que que eu vou falar?
O que que você vai falar?
Pior: o que é que os cronistas e entendidos da bola, doutores de mesas redondas e Phds em análises táticas vão dizer?
Eu vou agradecer.

Valeu Dunga.
Um a um você estirpou todos os tumores malignos de 2006, que tantas náuseas nos causaram. Disse todos pois estou empolgado. Há ainda o chato do Robinho, mas convenhamos: um palhacinho só não faz o verão dos sem-vergonhas. Mas é bom que você pedale, pequenino Robson, pois pra te agüentar, só pedalando.

Valeu Dunga.
Você me deu um baita cala boca, trazendo-me de volta essa camisa amarela que tanto me faz bem.
-Toma seu corneteiro. Pode voltar a usar que eu garanto.
Valeu Dunga.
É bom voltar a vesti-la.

Mas não se empolga muito não pois amanhã, meu caro amigo, vai ser outro dia.

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O dia seguinte.

24 Junho, 2009

De você, tudo o que eu quis eu tomei.
E se você quer mesmo saber da verdade, havia mais a ser tomado.
Mas agora é tarde e eu estou satisfeito.
A mim você não tem mais serventia.
E agora, sem maiores lamentos, eu o executo.
Você já é passado.
Chegou o seu fim.
Não há tempo para um último pedido.
Visto um moletom esfarrapado, uma camisa furada e calço meias limpas.
Escovo os dentes e, antes de me jogar embaixo do cobertor, num requinte de absoluta crueldade, faço um chá de erva cidreira e o adoço com mel.

Você, já moribundo, suspira seus últimos minutos.

Que venha o próximo.

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Carta aos Tricolores.

19 Junho, 2009

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Peço licença aos tricolores para escrever meia dúzia de palavras que me atravancam o peito e roubam-me o sono.
Há uma certeza fatal, inapelável, dessas que só Nelson Rodrigues sentia e se ele eu fosse, diria o que escrevo de forma soberba, dramática, espectral. Mas Alexei José que sou, limito-me ao simples: hoje, na noite fria das arquibancadas do Morumbi, encerrou-se um ciclo.
Simples assim.
Não é hora de buscar culpados. Não é hora de acendermos fogueiras. Que voem as bruxas pelos céus, imaculadas e malditas.
Sintam-se livres para assombrar outras freguesias!
Não é hora para a Inquisição.
É hora de chorar.
Só chorar.
Chorar até secar.
Chorar até o fim.
E quando então sentir um Saara em seu peito e não haver mais lágrimas para derramar, lave a cara, levante a cabeça e siga em frente, orgulhoso das cores que veste e do escudo que defende. Tenha sempre estampado na alma a certeza de que somos gigantes.
Apenas um ciclo se encerrou.
Não o nosso amor.
Assim é o futebol.

Hoje perdemos.
Amanhã e depois de amanhã e depois do depois de amanhã, venceremos.
Como aconteceu com Cilinho na década de 80 e com o mestre Telê Santana no início dos anos 90 e outros tantos escretes e técnicos que tivemos ao longo de nossa história, é sempre assim: após a glória, o amargo da derrota. Há sempre esse detestável gosto azedo recheado pelo vazio da perda irreparável. A queda nos ronda dia após dia, esperando, sorrateiramente, para tomar nossos corações de assalto.
É assim, Poetinha, que do riso faz-se o pranto.
Chore irmão, irmã. Chore sozinha, abraçado a sua garota, no ombro dum amigo. Chore até não mais ter lamentos no peito.
E então,renovado levante-se, limpe a casa, escancare as janelas e deixa a luz entrar, trazendo o novo e as mudanças necessárias e inadiáveis. Siga em frente com a certeza de que há uma vida inteira pela frente e de que nada, nada é eterno.
Mudanças assustam, mas são inevitáveis.
Há ainda muitas glórias pelo caminho assim como outras perdas a serem encaradas. E outras tantas transformações por aí.
Assim é a vida.

Parabéns aos nossos bravos adversários que mais que vencer, venceram o glorioso São Paulo Futebol Clube. E um forte abraço a todos os tricolores que juntos, mesmo que distantes, sofremos a derrota fatal na triste peleja desta noite fria da Paulicéia Desvairada.

Salve, sempre, em qualquer tempo, o Tricolor Paulista, amado, forte e grande clube brasileiro!

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3 em 1.

27 Maio, 2009

Assado.
Lembra quando eu disse que a prova da Receita Federal, ao que tudo indicava, seria no final do ano?
Lembra do Jair?
Junte suas lembranças e o que temos?
Uma nova informação, segura e fatal, sobre a prova.
Disse-me o nobre colega no intervalo da aula do final de semana, alheio a algumas poucas bundas que circulavam pelo corredor:
-Vai ser em agosto.
-É?
-Batata.

Taqueopá, Jair! Toca replanejar estudos, adiantar cursos e revisões. Agosto.
Agosto taí, bicho!
Não sei se… bom, não sei se pelo comentário do Jair, se pelo Cruzeiro ou se pela alface mal lavada do almoço, não saio do banheiro.

Demitido.
Hoje minha empregada colou, depois de duas semanas desaparecida.
-Não vou mais trabalhar aqui.
Fiquei de cara.
-Arrumei um trabalho fixo numa empresa em Jundiai que faz cestas básicas e tal e coisa e etc e blá.
E se foi. Ela, sua bela bunda e toda a sua expertise em quebrar minhas coisas. Mas antes de entrar no elevador, indicou-me uma amiga.
-É de confiança, viu? Ela trabalha bem, é responsável. É minha vizinha.

A mulher acabou de me ligar. Acertamos tudo e ela começa quinta. Antes de desligar, ocorreu-me perguntar seu nome:
-Auxiliadora.
Bicho, melhor só se fosse Socorro.

Metrosexual.
No Morumbi, toda vez que o Richarlysson pega na bola, começa a torcida:
-Vaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai bicha!
Se acerta um passe ou lançamento, é assim:
-Boooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooa bicha!
Se, nervosa, Richarlysson arrepia um adversário num carrinho, não dá outra:
-Aêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê bicha!

Agora, basta o cara errar um passe que a massa não perdoa:
-Viado do caraio!